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Marketing Jurídico: o que pode e o que não pode

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Advogados não podem fazer uso de Marketing Jurídico. Com essa afirmação, muitos profissionais do Direito encerram o assunto e fecham uma porta estratégica para o sucesso de suas carreiras. Mas até onde essa frase é verdadeira?

Em novembro de 2015 foi publicado o tão aguardado Novo Código de Ética e Disciplina da OAB (CED). E dele tiramos a resposta para a questão apresentada: a OAB não só permite a publicidade entre advogados como o faz de maneira explícita neste novo documento. Há, inclusive, um capítulo especialmente dedicado ao assunto.

No artigo de hoje apresentamos um guia rápido e fácil para advogados entenderem o que podem e o que não podem fazer quando o assunto é Marketing Jurídico. Dessa maneira, será possível ainda hoje iniciarem uma etapa revolucionária em suas carreiras. Qual é o seu maior desafio atualmente? Divulgar seu trabalho? Captar novos clientes? Começar uma carreira e tornar-se conhecido?

Entenda como usar o Marketing Jurídico sem contrariar o CED e você estará a um passo de conquistar esses e outros tantos objetivos. E assim você estará cada vez mais próximo de conquistar seu tão desejado sucesso.

Discrição & Moderação: os Pilares do Marketing Jurídico

De forma resumida, podemos sintetizar o que o Código de Ética da OAB apresenta sobre o Marketing Jurídico em duas palavras: Discrição e Moderação. Advogados podem e devem usar as ferramentas de Marketing e Publicidade, contanto que mantenham a sobriedade inerente do Direito.

A profissão de advogado não deve tornar-se uma atividade mercantilista. Não se deve ofertar o próprio trabalho de maneira agressiva e chamativa. Deve-se informar e educar, em vez de tentar promover uma venda. Em outras palavras, deve-se fazer publicidade e não propaganda.

Duas observações: as sociedades de advogados que quiserem utilizar tais ferramentas precisam estar devidamente registradas na OAB. Além disso, advogados individuais devem sempre mencionar o NOME e o Nº da INSCRIÇÃO, seja nos próprios anúncios ou ainda nas páginas virtuais utilizadas.

Agora uma ressalva importante antes de entrarmos nas listas sobre o que pode ou não ser feito no Marketing Jurídico. Os itens descritos abaixo são apenas um resumo para que os profissionais possam ter uma visão mais ampla sobre o assunto. Para maiores detalhes, sugiro que leiam o Código de Ética e Disciplina da OAB na íntegra clicando aqui.

O Que Pode Ser Feito

1. Ter um site profissional

O advogado não só pode como deve ter um site profissional. É por meio dessa ferramenta que ele apresentará seu trabalho, bem como as informações críticas para que seus possíveis clientes entrem em contato. É importante lembrar que o conteúdo não deve ser comercial, tendo apenas caráter informativo. Dica de especialista: deixe seu site o mais simples possível. Dados como especialidade, telefone e endereço devem ser fáceis de achar. Para os profissionais que gostam de escrever, também sugiro que haja um blog com artigos voltados para o público em potencial.

2. Fazer anúncios na Internet

É dessa maneira que o advogado poderá alavancar sua carreira em pouco tempo. Sugiro fazer uso de Links Patrocinados do Google (Google Adwords) ou ainda Anúncios Patrocinados do Facebook (Facebook Ads). Mas atenção: para tanto é preciso se atentar às limitações estipuladas pelo CED. E não se preocupe se achar que tais ferramentas são complexas. Nós, da Calina Sucesso Digital, produziremos constantemente materiais de apoio que ajudarão os profissionais a conquistarem excelentes resultados por meio destas ferramentas.

3. Fazer anúncios em revistas impressas, contanto que sejam especializadas em Direito

Esse tipo de abordagem tem como foco tornar-se conhecido entre outros profissionais do Direito. Isso acontece pois poucos clientes em potencial possuem como hábito de leitura revistas especializadas em advogados. Portanto, se seu foco é captar clientes, sugiro que utilize outros meios de comunicação para divulgar seu trabalho.

4. Usar fotografias, contanto que não sejam chamativas ou extravagantes

O uso de fotografias é uma das formas mais poderosas de comunicar uma ideia. Sabemos que o dito popular “uma imagem vale mais que mil palavras” é verdadeiro. Portanto, deve-se explorar o universo imagético para tornar a comunicação mais atrativa, além desta fixar por mais tempo a mensagem sendo veiculada. Mas tome cuidado para não exagerar. Imagens podem suscitar interpretações variadas. Aconselha-se, portanto, que sejam utilizadas fotografias com caráter sóbrio.

5. Possuir logo própria

Assim como as fotografias, os símbolos também possuem bastante força na hora de comunicar uma ideia. Mas a advertência anterior também vale para esse item: escolha elementos sóbrios quando for compor sua logo. Fontes e cores neutras são as mais indicadas.

6. Mencionar os títulos profissionais

Os títulos validam seu conhecimento profissional e permitem que o público construa uma relação de confiança com você. Não há nada de errado em citar seus títulos, mas faça de uma forma moderada. Esse tipo de informação não pode se destacar ao ponto de tornar a mensagem agressiva ou vendedora de mais.

7. Mencionar as especialidades, sejam individuais ou do escritório

Há demandas diferentes para profissionais e escritórios diferentes. A única maneira de tornar o processo de captação de novos clientes eficiente é informando-os tão cedo quanto possível qual a sua área de especialidade. Essa informação é de grande importância para o público que procura um advogado. Por isso deve estar  disponível em um local de fácil e rápido acesso.

8. Apresentar endereços e horários de expediente

Assim como as especialidades, endereços e horários de expediente são de importância crítica para o público. Aconselha-se que estes sejam os dados de maior destaque e com maior facilidade para serem encontrados em seu site. Seu público provavelmente estará buscando exatamente tais informações. Quanto mais fácil for encontra-las, maior a chance de que clientes em potencial entrem em contato.

9. Mencionar premiações

Premiações são importantes validadores de sua competência profissional. Portanto, ao apresenta-las você estará construindo uma confiança e um maior valor em torno de sua marca profissional. Mas tome cuidado para não exagerar e tornar esse tipo de comunicação muito agressiva.

10. Participar de páginas de cadastro de profissionais jurídicos

As páginas de cadastro profissionais jurídicos funcionam expondo seus dados para determinados públicos que as acessarem. É bastante válido cadastrar em tais ferramentas mas é preciso cuidado para saber a idoneidade das mesmas. Além disso, todas elas cobram de alguma forma ao apresentar seus dados. Assim, é preciso avaliar se há interesse nesse sentido.

O Que Não Pode Ser Feito

1. Veicular material publicitário em rádio ou televisão

O CED interpreta os materiais publicitários veiculados em rádio ou televisão como tendo um teor muito agressivo e comercial. Desde o antigo código já havia esse tipo de restrição e o mesmo foi mantido. De qualquer forma, rádio e televisão apresentam grandes desvantagens em relação ao meio digital (ex.: preço altíssimo, baixa capacidade de segmentação etc.). Portanto, concentre-se nas ferramentas da Internet para chegar ao seu cliente potencial.

2. Veicular material publicitário via mensagens de celular

Assim como o rádio e a televisão, mensagens via celular possuem caráter excessivamente comercial. Além disso, é preciso um cuidado muito grande para não tornar tais conteúdos verdadeiros ruídos comunicacionais. Independentemente do CED permitir ou não este veículo, concentre-se onde há maior chance de entregar uma mensagem útil ao seu público alvo: isto é, os veículos digitais.

3. Oferecer serviços via fax ou e-mail (mala direta)

Seguindo a linha dos dois itens anteriores, serviços de mala direta por meio de fax ou e-mail são considerados inadequados para a profissão de um advogado. Mas não se preocupe. Há formas mais interessantes de comunicar seu trabalho e que encantarão de maneira autêntica seus futuros clientes.

4. Distribuir brindes promocionais

O uso de brindes promocionais é bastante comum quando se trata de empresas comerciais. Mas o CED entende que esse tipo ação não condiz com a prática do Direito. Além disso, brindes promocionais são uma forma cara de promoção. Há maneiras incrivelmente mais eficientes de fazê-lo. Portanto você não perde nada com tal restrição.

5. Fazer uso de linguajar comercial (ex.: “consulte-nos agora mesmo!)

Mensagens de venda agressivas são bastante comuns em segmentos como o comércio varejista e o e-commerce. Mas esse tipo de artifício não condiz, segundo o CED, com a profissão de um advogado. O que você deve fazer é apenas informar o seu público, nunca tentando convence-lo a se tornar seu cliente de maneira enfática. Por outro lado, quanto mais clara, interessante e valiosa for a sua comunicação, maior a chance de que este público torne-se naturalmente seu cliente. Concentre-se em entregar informações relevantes.

6. Divulgar o preço dos serviços

A divulgação de preços configura-se em mensagem comercial, alheia aos princípios do Direito. Conforme já foi apresentado, deve-se apenas informar, nunca buscando como fim a persuasão. Além disso, vantagens em relação ao preço muitas vezes confluem para desvantagens na qualidade. Se seu trabalho for bom, ele falará por si só e o preço será apenas um detalhe.

7. Ter um nome fantasia

Também considerada como prática excessivamente comercial, ter um nome fantasia não é permitido pelo CED. Experimente usar seu próprio nome ou sobrenome na hora de compor a sua marca. Assim, você se tornará bastante conhecido sem que tenha que desrespeitar alguma norma do Conselho de Ética da OAB.

8. Ofertar consultas grátis

O uso de consultas grátis tem como objetivo converter o público potencial em clientes finais. Esse artifício é bastante usado em diversos segmentos, mas é proibido pelo CED. Ainda assim, há atualmente várias empresas compostas de advogados que fazem uso dessa ferramenta para construção de sua clientela. Se você deseja manter-se em acordo com o Conselho de Ética e Disciplina da OAB então não deve participar desse tipo de dinâmica.

9. Alardear experiência no mercado

É sabido que quanto mais experiência um profissional possui, maior a chance de que o mesmo tenha uma qualidade superior de trabalho. Entretanto, é preciso cautela para não transformar tal mensagem em veículo comercial. Atente-se para a forma como você apresenta sua experiência. Na dúvida, a sugestão é não fazê-lo, buscando outras maneiras de validar o próprio trabalho.

10. Estimular o preenchimento de formulários para captação de dados

Uma das ferramentas mais comuns atualmente na Internet é a captação de dados do público para que profissionais e empresas possam conhece-los melhor. Não há nada errado com tal prática, já que a mesma torna o processo de entrega de conteúdos e produtos mais eficiente. Infelizmente, o CED não permite que advogados utilizem-se de tal artifício. De todos os pontos apresentados, este talvez seja o único que gere certa desvantagem ao profissional do Direito em relação aos demais profissionais.

Conclusão

Em uma frase pretendo resumir o artigo todo: Advogado, você DEVE usar o Marketing Jurídico! É fato que existem várias restrições e conformidades a serem seguidas. Mas nenhuma delas torna proibitivo explorar as ferramentas que estão revolucionando o mundo.

Depender única e exclusivamente de boca a boca para captar clientes e divulgar o trabalho é uma forma bastante ineficiente de progredir na carreira. E será ainda mais, a medida que as novas gerações, totalmente digitalizadas, assumirem maioridade de público. Por que não avançar sua carreira durante um ano o que muitos profissionais levaram uma vida inteira para conquistar?

E você, o que tem a dizer disso tudo? Concorda com o uso de Marketing Jurídico? Ou acredita que advogados não devem utilizar tais ferramentas? Deixe uma mensagem nos comentários abaixo para podermos discutir sobre o assunto! E se gostou do conteúdo, não deixe de dar um Like (no canto logo no começo do artigo) e também de compartilha-lo!


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Sobre o autor

Daniel Palis Daniel Palis

Possui formação em Ciência da Computação pela USP, Publicidade & Propaganda pela UFG, além de um MBA em Marketing Digital (ESPM/SP). Trabalhou por mais de 3 anos na SKY, empresa de TV por assinatura, fazendo parte da equipe de Marketing.


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